Atuação em Flagrante
Fui preso em flagrante: o que fazer nas primeiras horas?
Saiba o que fazer após uma prisão em flagrante, como funciona a custódia e quais documentos ajudam a defesa urgente.
Resumo em 3 pontos
A resposta depende da fase do caso, dos documentos existentes e dos riscos concretos.
Preservar provas, prazos e informações objetivas costuma ser decisivo em matéria criminal.
Conteúdo informativo ajuda a entender o tema, mas não substitui análise individualizada.
Ser preso em flagrante é uma das situações mais delicadas que uma pessoa pode enfrentar. As primeiras horas são decisivas porque é nesse período que ocorre a condução à delegacia, a formalização da prisão, o interrogatório, a análise da possibilidade de fiança, a comunicação ao Poder Judiciário e a preparação para a audiência de custódia.
Embora o medo e a ansiedade sejam naturais, agir por impulso pode piorar a situação. Resistir à abordagem, tentar explicar tudo imediatamente, assinar documentos sem ler, fornecer senhas ou entrar em contato com vítimas e testemunhas são atitudes que podem trazer novas consequências jurídicas.
A primeira orientação é simples: mantenha a calma, não ofereça resistência, exerça seus direitos e solicite imediatamente a presença de um advogado criminalista ou da Defensoria Pública.
A prisão em flagrante não significa condenação. Também não significa que a pessoa permanecerá presa durante todo o processo.
O que é prisão em flagrante?
A prisão em flagrante ocorre quando uma pessoa é encontrada em uma das situações previstas no artigo 302 do Código de Processo Penal.
Considera-se em flagrante quem:
- está cometendo uma infração penal;
- acaba de cometer a infração;
- é perseguido logo após o fato, em circunstâncias que façam presumir sua autoria;
- é encontrado logo depois com armas, instrumentos, objetos ou documentos que façam presumir sua participação.
Prisão em flagrante significa que a pessoa é culpada?
Não.
A prisão em flagrante é uma medida inicial e provisória. Ela não equivale a uma sentença e não permite considerar a pessoa definitivamente culpada.
O que fazer no momento da abordagem?
Não ofereça resistência
A pessoa não deve tentar fugir, empurrar policiais, impedir o uso legítimo de algemas ou praticar qualquer ato de violência.
Evite discutir os fatos na rua
O momento da abordagem raramente é adequado para apresentar uma defesa detalhada.
Não minta sobre sua identidade
O direito ao silêncio protege a pessoa contra a produção de prova relacionada à acusação, mas não representa autorização para fornecer identidade falsa ou apresentar documento de outra pessoa.
Procure identificar os responsáveis pela prisão
A Constituição assegura ao preso o direito de conhecer a identificação dos responsáveis por sua prisão e por seu interrogatório policial.
O preso é obrigado a responder às perguntas?
Não.
A pessoa presa possui o direito constitucional de permanecer em silêncio e não é obrigada a produzir provas contra si própria.
Quando pedir um advogado?
Imediatamente.
A pessoa presa deve solicitar que um advogado seja comunicado antes de prestar declarações detalhadas, assinar termos importantes, autorizar acessos ou entregar voluntariamente informações.
A polícia deve comunicar a família?
Sim.
A prisão e o local em que a pessoa se encontra devem ser comunicados imediatamente ao juiz competente, ao Ministério Público e à família do preso ou à pessoa indicada por ele.
O que acontece na delegacia?
Depois de ser conduzida, a pessoa será apresentada à autoridade policial.
A autoridade ouvirá inicialmente os policiais ou responsáveis pela condução, colherá os depoimentos das testemunhas e realizará o interrogatório da pessoa detida.
O que é o auto de prisão em flagrante?
O auto de prisão em flagrante, também conhecido como APF, é o conjunto de documentos que formaliza a prisão.
Devo prestar depoimento na delegacia?
O preso tem direito ao silêncio.
Antes de decidir se prestará depoimento, é recomendável que o advogado analise a acusação e os elementos já documentados.
Posso me recusar a assinar documentos?
A pessoa não deve assinar um documento sem ler ou cujo conteúdo não compreenda.
A polícia pode apreender o celular?
Celulares, computadores, documentos, dinheiro, veículos e outros objetos relacionados ao fato podem ser apreendidos quando existir fundamento jurídico para isso.
A apreensão física do aparelho, porém, não se confunde necessariamente com uma autorização ilimitada para acessar todo o seu conteúdo.
E se houve agressão ou abuso policial?
Qualquer agressão, ameaça, coação, tortura ou tratamento degradante deve ser comunicado ao advogado, à autoridade policial responsável, ao Ministério Público e ao juiz da audiência de custódia.
O que é a nota de culpa?
A nota de culpa é o documento entregue à pessoa presa com informações essenciais sobre o flagrante.
É possível pagar fiança na delegacia?
Em determinados casos, sim.
A autoridade policial pode conceder fiança quando a infração admitir a medida e tiver pena máxima não superior a quatro anos. Nos demais casos em que a fiança seja juridicamente possível, o pedido deverá ser dirigido ao juiz.
Não tenho dinheiro para pagar a fiança. O que fazer?
A impossibilidade financeira não deve ser ignorada.
O advogado ou defensor poderá demonstrar a situação econômica do preso e requerer:
- redução do valor;
- dispensa da fiança, quando legalmente possível;
- liberdade provisória sem fiança;
- substituição por outra medida cautelar.
O que acontece nas primeiras 24 horas?
Em até 24 horas após a prisão, o auto de prisão em flagrante deve ser encaminhado ao juiz. A pessoa também deve receber a nota de culpa e ter acesso à defesa.
O que é audiência de custódia?
A audiência de custódia é o momento em que um juiz analisa rapidamente a legalidade da prisão e verifica se a pessoa precisa continuar presa.
O que o juiz pode decidir?
Relaxar a prisão
A prisão deve ser relaxada quando for ilegal.
Conceder liberdade provisória
O juiz poderá conceder liberdade provisória com ou sem fiança.
Converter o flagrante em prisão preventiva
O juiz poderá converter a prisão em flagrante em preventiva quando houver base legal concreta e quando as medidas cautelares menos graves forem inadequadas ou insuficientes.
O que ajuda a defesa na audiência de custódia?
A família e o advogado devem reunir, sempre que possível:
- documento de identidade;
- comprovante de residência;
- comprovante de trabalho;
- carteira de trabalho;
- contrato de prestação de serviços;
- certidões de nascimento dos filhos;
- documentos médicos;
- receitas de medicamentos;
- documentos sobre gravidez;
- provas de responsabilidade sobre dependentes.
É possível substituir a prisão por prisão domiciliar?
Em determinadas hipóteses, sim.
O que a família deve fazer nas primeiras horas?
- Descobrir onde a pessoa está.
- Procurar assistência jurídica.
- Reunir documentos.
- Levar informações sobre medicamentos.
- Evitar exposição nas redes sociais.
- Não procurar a vítima ou testemunhas.
- Preservar provas.
O que não fazer depois da prisão?
A pessoa presa e seus familiares devem evitar:
- inventar uma versão dos fatos;
- combinar depoimentos;
- apagar mensagens;
- esconder objetos;
- oferecer dinheiro a agentes públicos;
- ameaçar ou pressionar testemunhas;
- procurar a vítima sem orientação;
- publicar detalhes do caso;
- assinar documentos sem ler;
- entregar senhas voluntariamente sem orientação;
- mentir para o advogado;
- descumprir medidas cautelares após a soltura.
O que o advogado pode fazer nas primeiras horas?
A atuação do advogado criminalista pode incluir:
1. localizar a pessoa presa; 2. conversar reservadamente com o cliente; 3. identificar o fato atribuído; 4. acompanhar o interrogatório; 5. analisar a legalidade da abordagem; 6. verificar o auto de prisão em flagrante; 7. examinar depoimentos e apreensões; 8. solicitar atendimento médico; 9. registrar alegações de violência; 10. avaliar a possibilidade de fiança; 11. apresentar documentos pessoais; 12. preparar o pedido de liberdade; 13. participar da audiência de custódia; 14. pedir relaxamento da prisão; 15. requerer liberdade provisória; 16. sugerir medidas cautelares menos gravosas; 17. avaliar o cabimento de habeas corpus; 18. preservar provas defensivas.
Conclusão
As primeiras horas após uma prisão em flagrante são determinantes.
Nesse período, a pessoa deve:
- manter a calma;
- não oferecer resistência;
- fornecer corretamente seus dados de identificação;
- evitar explicações precipitadas;
- exercer o direito ao silêncio;
- solicitar imediatamente um advogado;
- pedir a comunicação da família;
- informar doenças, medicamentos e responsabilidades familiares;
- não assinar documentos sem ler;
- relatar qualquer violência ou abuso;
- preservar provas e indicar testemunhas;
- preparar a defesa para a audiência de custódia.
Cada caso exige uma análise individual. O crime atribuído, as circunstâncias da abordagem, as provas existentes, os antecedentes, as condições pessoais e os riscos identificados determinam qual estratégia deverá ser adotada.
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